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quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Citação de Poemas, de Carvalho Filho


 III

 

Só cicatrizes de estrelas excitando a memória.

Só estrelas ausentes eliminando o tempo em nós.

Só estrelas esterilizando a aurora em nós.

 

Nem os arados que revolvem a esperança.

Nem as luzes que plantam em nós

a aceitação da morte.

 

Nem o hálito dos profetas.

Nem o rasto dos apóstolos.

Nem os heróis.

Nem a vitória dos Santos

em si mesmos.


Nunca.

 

IV

 

A luz contempla o mundo.

 

Tudo é fértil em seu segredo,

segredos evanescentes na hora pura.

 

Sedimentos de claridade colorida

contêm os extremos do céu parado.

 

Há sombras que se refugiam e que se amam

acumuladas nas bases dos mortos. Libertas,

se dissiparão no silêncio noturno 

das praias.

 

As árvores meditam. Partirão depois

para as florestas.

 

É a vida no tempo.

É a vida presente no sangue

e nas coisas.

É a vida presente nos seres

e no sonho.

 

É a vida perpetuada em si mesma.

É a vida presente.

 

Sempre.



CARVALHO FILHO, [José Luiz de]. Poemas. Salvador: [s. n.], 1988. p. 47-48. Edição particular.

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Citação de Abismo intacto, de Yttérbio Homem de Siqueira

 

 
SALMO DO INSTANTE -V
Ao Dr. Possídio do Nascimento Coelho
e a José Matias Filho

Não esqueças este instante,

é tudo quanto possuis,

é mais forte mesmo

do que tua vida.


É teu espaço, este instante

imperecível e estrelar.

É tudo que tens de eterno:

incide doloroso e grande 

em tua vida. Percorreu

do orco as últimas instâncias.

Não o deixes perecer

entre os milênios

de instantes esmagados.


Ó, não sejas tu somente

uma morte implacável de instantes.


SIQUEIRA, Yttérbio Homem de. Salmo do Instante - V. In: SIQUEIRA, Yttérbio Homem de. Abismo intacto. Rio de Janeiro: José Olympio; Recife: Fundarte, 1983. p. 43.

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Citação de Poesia Reunida, de Affonso Romano de Sant'Anna

 

 

ARTE-FINAL


Não basta um grande amor

                                          para fazer poemas.

E o amor dos artistas, não se enganem,

não é mais belo

                         que o amor da gente.


O grande amante é aquele que silente

se aplica a escrever com o corpo

o que seu corpo deseja e sente.


Uma coisa é a letra,

e outra é o ato,

                        - quem toma uma por outra

                        confunde e mente.


SANT'ANNA, Affonso Romano de. Arte-final. In: SANT'ANNA, Affonso Romano de. Poesia Reunida. Porto Alegre: L&PM, 2007. v. 1. p. .330

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Citação de Pólvora, de Herbert Vianna

 


PÓLVORA

As teorias que explicam o universo
Os versos que vasculham o coração
Os garis, estivadores e arquitetos
A fé manipulada dos cristãos

As alegrias, alergias, os afetos
Os fatos, frases, a simulação
O país ajoelhado, a morte, o sexo
A culpa e o olhar de acusação

O que é tudo isso diante da Pólvora?
(Dessa paixão que se renova)

Os dias, datas de aniversário
Os quartos de hotel, o avião
Os livros, discos, dicionários
A madrugada e o olhar sem direção

Os velhos, as crianças e os parques
Os templos, tumbas e memoriais
A nova velha forma do desastre
Bandeiras, panos, lenços, aventais

O que é tudo isso diante da pólvora?
(Dessa paixão que se renova) 


PÓLVORA. Intérprete: Os Paralamas do Sucesso. Compositor: Herbert Vianna. In: BIG Bang. Intérprete: Os Paralamas do Sucesso. [S. l.]: EMI Music Brasil, 1989. 1 CD, faixa 3.

sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Citação de Poema, de Danilo Cerqueira

Foto: Danilo Cerqueira
Foto: Danilo Cerqueira

 
 
Poema
 
Olho e saio da vida
Com o risco de esfolar o grão
Que cresce no entorno do vago
Com a órbita do homem em vão
 
Grave e leve, semente à vista, pesa e voa!
Infunde no vácuo o seixo molhado
Poço d'água ao sol entoa
Que a certeza da queda é o ocaso...
 
22/08/2013

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Citação de A palavra certa, de Herbert Vianna, George Israel, Paula Toller

 

 

A PALAVRA CERTA

Atravesso a noite com um verso
Que não se resolve
Na outra mão as flores
Como se flores bastassem
Eu espero
E espero


Não funcionam luzes, telefones
Nada se resolve
Trens parados, Carros enguiçados
Aviões no pátio esperam
E esperam


A chave que abre o céu
D´aonde caem as palavras
A palavra certa
Que faça o mundo andar

 

A PALAVRA certa. Intérprete: Herbert Vianna. Compositores: Herbert Vianna, George Israel, Paula Toller. In: SANTORINI Blues. Intérprete: Herbert Vianna. [S. l.]: EMI Music Brasil, 1997. 1 CD, faixa 7.

sexta-feira, 19 de julho de 2024

Citação de As lâminas do tarô & os 12 trabalhos de Hércules, de Solidade Lima

 

 

CIDADÃO COSMONAL

 

Meu coração é o coração do mundo.

Todos os homens são meus pais e filhos,

trago nos pés os pés dos andarilhos...

Nas mãos, a eternidade dum segundo.

 

Íons tocando piano e horas do profundo

meditar... Nas setas do olhar: o brilho

cruzando o sideral como um rastilho

de astro que parte para um voo mais fundo.

 

Somente um quark e toda humanidade, 

partícula astral da ancestralidade

nos glóbulos, nos átomos, moléculas.

 

Meu coração é o coração da vida

amanhecendo a noite, a despedida, 

pulsando o cosmo milenar das células.

 

LIMA, Solidade. Cidadão cosmonal. In: As lâminas do tarô & os 12 trabalhos de Hércules. LIMA, Solidade. São Paulo: PoloBooks, 2016. p. 88.

 


sexta-feira, 12 de julho de 2024

Citação de poema de Gregório de Matos


 

Achando-se um braço perdido do menino Deus de N. S. das Maravilhas, que desacataram infiéis na Sé da Bahia

O todo sem a parte não é todo;
A parte sem o todo não é parte;
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo o todo.
 

Em todo o Sacramento está Deus todo,
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda a parte,
Em qualquer parte sempre fica todo.
 

O braço de Jesus não seja parte,
Pois que feito Jesus em partes todo
Assiste cada parte em sua parte.
 

Não se sabendo parte deste todo,
Um braço que lhe acharam, sendo parte,
Nos disse as partes todas deste todo.

 

MATOS, Gregório. Achando-se um braço perdido do menino Deus de N. S. das Maravilhas, que desacataram infiéis na Sé da Bahia. In: MATOS, Gregório. Poemas escolhidos de Gregório de Matos. Seleção e organização de José Miguel Wisnik. São Paulo : Companhia das Letras, 2010. p. 326.

sexta-feira, 5 de julho de 2024

Poema Longe

O tempo não está nem aqui nem lá

vai nos espaços de sentimentos

e perde senso de direção...

Está aqui, está ali, 

acompanha quem sente conjuntamente

e acorda ao possível contato

de quem está ao lado... de quilômetros a anos-luz...


Lado a lado em telas, palavras, sons...

entre temas e tons, significa o termo que falta

o conforto que acalma, o afago que enternece.

Assim, certeza que se segue, vive-se!

Finca-se o nome e o peso das ações e emoções...

... emoações que diluem laços e limites...

 

27/05 a 1/7 de 2024

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Citação de Dedal de areia, de Antonio Brasileiro


 

A PROSA DO MUNDO E O DEDAL DE AREIA


Espadachim das sombras multivárias,

há que cuidar dos minotauros da psique.

Eis que a verdade é multifacetada

e o mais, sombra de enigmas.


A deusa nua tem cheiro de jasmim

e a razão trescala a alho-porro.

 

BRASILEIRO, Antonio. A prosa do mundo e o dedal de areia. In: BRASILEIRO, Antonio. Dedal de areia. Rio de Janeiro. Garamond, 2006. p. 31.


quarta-feira, 26 de junho de 2024

Citação de Antologia Poética, de Gregório de Matos

 

 

Moraliza o Poeta nos Ocidentes o Sol e a Inconstância dos bens do Mundo

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

 

MATOS, Gregório de. [Moraliza o Poeta nos Ocidentes o Sol e a Inconstância dos bens do Mundo]. In: MATOS, Gregório de. Antologia poética. 7. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, [1991?]. p. 84.

segunda-feira, 24 de junho de 2024

Citação de José, Novos Poemas, Fazendeiro do Ar, de Carlos Drummund de Andrade

 

CANÇÃO AMIGA

Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
 

Caminho por uma rua
Que passa por muitos países.
Se não me veem, eu vejo
E saúdo velhos amigos.
 

Eu distribuo um segredo
Como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
Dois carinhos se procuram.
 

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
E tornei outras mais belas.
 

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.

 

ANDRADE, Carlos Drummund de. Canção amiga .In: ANDRADE, Carlos Drummund de. José. Novos poemas. Fazendeiro do ar. 7. ed. Rio de Janeiro: Record, 2001. p. 9.

sexta-feira, 7 de junho de 2024

Citação de Poesia de Álvaro de Campos, de Fernando Pessoa


 

Três sonetos

I
[A Raul Campos]*
 

Quando olho para mim não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.

O ar que respiro, este licor que bebo
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei-de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.

Nem nunca, propriamente, reparei
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? serei

Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante às sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.

*Lisboa, (uns seis a sete meses antes do Opiário) Agosto 1913


 II

A Praça da Figueira de manhã,
Quando o dia é de sol (como acontece
Sempre em Lisboa), nunca em mim esquece,
Embora seja uma memória vã.

Há tanta coisa mais interessante
Que aquele lugar lógico e plebeu,
Mas amo aquilo, mesmo aqui... Sei eu
Porque o amo? Não importa nada. Adiante...

Isto de sensações só vale a pena
Se a gente se não põe a olhar p’ra elas.
Nenhuma d'elas em mim é serena...

De resto, nada em mim é certo e está
De acordo comigo próprio. As horas belas
São as dos outros, ou as que não há.

Londres (uns cinco meses antes do Opiário) Outubro 1913


III
[A Daisy Mason]


Olha, Daisy, quando eu morrer tu hás-de
Dizer aos meus amigos ai de Londres,
Que, embora não o sintas, tu escondes
A grande dor da minha morte. Irás de

Londres p’ra York, onde nasceste (dizes —
Que eu nada que tu digas acredito...)
Contar àquele pobre rapazito
Que me deu tantas horas tão felizes

(Embora não o saibas) que morri.
Mesmo ele, a quem eu tanto julguei amar,
Nada se importará. Depois vai dar

A notícia a essa estranha Cecily
Que acreditava que eu seria grande...
Raios partam a vida e quem lá ande!...

(A bordo do navio em que embarcou para o Oriente; uns quatro meses antes do Opiário, portanto) Dezembro 1913

 

CAMPOS, Álvaro de. Três sonetos. In: PESSOA, Fernando. Poesia de Álvaro de Campos. São Paulo: Martin Claret, 2006. p. 37-39.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Citação de Eu e outras poesias, de Augusto dos Anjos


 
Apocalipse

Minha divinatória Arte ultrapassa
Os séculos efêmeros e nota
Diminuição dinâmica, derrota
Na atual força, integérrima, da Massa.

É a subversão universal que ameaça
A Natureza, e, em noite aziaga e ignota,
Destrói a ebulição que a água alvorota
E põe todos os astros na desgraça!

São despedaçamentos, derrubadas,
Federações sidéricas quebradas...
E eu só, o último a ser, pelo orbe adiante,

Espião da cataclísmica surpresa,
A única luz tragicamente acesa
Na universalidade agonizante!
 
 
ANJOS, Augusto dos. Apocalipse. In: ANJOS, Augusto dos. Eu e outras poesias. São Paulo: Martin Claret, 2004. p. 157-158.

sexta-feira, 31 de maio de 2024

Mañana...

                        Para Ana, Terra...

 

Análoga e certa, à luz de girassol,

continua a grande lua a anelar

letra, arco, gérberas... e a centrar

a liberdade... Cirandam genéticas artérias...

 

Cá e lá, aos nomes e pessoas

arbitro... figuras, rostos, fatos e atos... 

e ponho a fio a tela de esperança!


Ah, é a Terra, é tudo que há nela!

Universo? Sim, único verso

a abraçar enquanto acarinha

o saber que acerta em sentir...


Há tempo? Não é preciso...

Sonhos provam desta querência

e já são neblina de manhã...

 

Se ao chão deixa água rara

umedece a alma no olhar:

concentra alegria à lágrima

e anima o riso a chorar.


 

Amo do Almo Termo, 31 de maio de 2024.

segunda-feira, 20 de maio de 2024

Citação de Poesia Reunida, de Affonso Romano de Sant'Anna

 

O HOMEM E O OBJETO

1

Sou o guerreiro,

a palavra a seta,

o objeto a meta:


o guerreiro solta a seta

e no alvo se completa.


A palavra

é o corpo

onde vivo

em duplo aspecto.


A palavra

é o corpo

onde ostento

o que secreto.

 

A palavra

é o corpo

onde faço

o meu trajeto.

 

A palavra é como um mito

que se pode cultivar,

 

como a palavra também pode 

num mito nos transformar,


como o mito é uma palavra

em que se pode encalhar.


Sou o guerreiro,

a palavra a seta,

o objeto a meta:


o guerreiro solta a seta

e no alvo se completa.

 


SANT'ANNA, Affonso Romano de. A palavra e o objeto. In: SANT'ANNA, Affonso Romano de. Poesia Reunida. Porto Alegre: L&PM, 2007. v. 1. p. 49.

quarta-feira, 1 de maio de 2024

Madrugada

Tempo de minhas palavras

Onde está? Onde estão?

Vejo e sinto esforço apenas

Perto do céu e do vão...




quarta-feira, 3 de abril de 2024

Citação de O coração amarelo, de Pablo Neruda

FILOSOFIA
 
Fica provada a certeza
da árvore verde na primavera
e do córtex terrestre
- alimentam-nos os planetas
apesar das erupções 
e o mar nos oferece peixes
apesar de seus maremotos -
somos escravos da terra
que também é dona do ar.
 
Passeando por uma laranja
eu passei mais de uma vida
repetindo o globo terrestre
- a geografia e a ambrosia -
os jogos de cor de jacinto
e um cheiro branco de mulher
como as flores de farinha.
 
Nada se consegue voando
para se escapar deste globo
que te aprisionou ao nascer.
E há que confessar esperando
que o amor e o entendimento
vêm de baixo, se levantam
e crescem dentro de nós 
como cebolas, azinheiras,
como tartarugas ou flores,
como países, como raças,
como caminhos e destinos.

 
NERUDA, Pablo. Filosofia. In: NERUDA, Pablo. O coração amarelo. Tradução de Olga Savary. Porto Alegre: L&PM, 2014. p. 27-28.

sexta-feira, 22 de março de 2024

Citação de Pequenos contos para começar o dia, de Leonardo Sakamoto

 

Os professores de matemática dizem que a menor distância entre dois pontos é uma reta. Menos pro meu avô. "Besteira! A menor distância é aquela em que a gente se diverte mais." Apesar de ser homem direito, nunca andou em linha. Já viúvo, levou mais de mês para chegar a Belém, pois serpenteou meio Brasil - deixando amigos, amores e saudades por onde passou. Cresci e, encantado pela solidão do imediato, achei isso uma total perda de tempo. Coisa de velho, sabe? Até que ele morreu. E vi que o velho era eu, pois um mundo de gente, sorrindo de dor, foi ao seu enterro. Desde então, em sua memória, respeito o humor do vento antes de começar uma caminhada.

SAKAMOTO, Leonardo. Pequenos contos para começar o dia. São Paulo: Expressão Popular, 2012. p. 11.

segunda-feira, 18 de março de 2024

Citação de Abismo intacto, de Yttérbio Homem de Siqueira

 

 
SALMO DO INSTANTE - I
A Juvenal Félix da Silva

Este momento
é uma centelha
que se desprendeu
do negro bojo
da eternidade.
Como me dói,
é um instante
de céu a céu.

Quantos milagres
eu não teria
se possuísse
completamente
este momento
que transbordou
das mãos de Deus.

Que estrela, mundo ignoto,
está além do poder
deste momento de minha vida?
Grave magia do mundo
jaz mansamente em minhas mãos.
 
Como sou grande, como sou tênue,
levo um instante no coração:
é uma óstia arrancada
do hirsuto corpo de Deus.
É um instante em minha vida.

SIQUEIRA, Yttérbio Homem de. Salmo do Instante - I. In: SIQUEIRA,ira. Yttérbio Homem de. Abismo intacto. Rio de Janeiro: José Olympio; Recife: Fundarte, 1983. p. 38.