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sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Citação de Poesia Reunida, de Affonso Romano de Sant'Anna

 

 

ARTE-FINAL


Não basta um grande amor

                                          para fazer poemas.

E o amor dos artistas, não se enganem,

não é mais belo

                         que o amor da gente.


O grande amante é aquele que silente

se aplica a escrever com o corpo

o que seu corpo deseja e sente.


Uma coisa é a letra,

e outra é o ato,

                        - quem toma uma por outra

                        confunde e mente.


SANT'ANNA, Affonso Romano de. Arte-final. In: SANT'ANNA, Affonso Romano de. Poesia Reunida. Porto Alegre: L&PM, 2007. v. 1. p. .330

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Citação de A palavra certa, de Herbert Vianna, George Israel, Paula Toller

 

 

A PALAVRA CERTA

Atravesso a noite com um verso
Que não se resolve
Na outra mão as flores
Como se flores bastassem
Eu espero
E espero


Não funcionam luzes, telefones
Nada se resolve
Trens parados, Carros enguiçados
Aviões no pátio esperam
E esperam


A chave que abre o céu
D´aonde caem as palavras
A palavra certa
Que faça o mundo andar

 

A PALAVRA certa. Intérprete: Herbert Vianna. Compositores: Herbert Vianna, George Israel, Paula Toller. In: SANTORINI Blues. Intérprete: Herbert Vianna. [S. l.]: EMI Music Brasil, 1997. 1 CD, faixa 7.

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Ideias e poemas

Não sei, e isso é o essencial

estar onde o corpo não pode chegar

e poder alcançar o que somente

tenho a entregar ao pensar...


Se posso não conseguir, tento ao menos

para que o mais que consiga seja o mínimo

feito com pouco, de tanto extremo...

meu máximo, no entanto, ínfimo...


e assim deixo no tempo as horas perdidas

a erva daninha, um acaso inútil, o nó incisivo 

entre o teto e o papel, a tela e a dita...

a ideia que irrita o mesmo arado início...


Danilo Cerqueira

0h de 04 de junho de 2020

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Flores de maio


Terminei, ó encéfalo! Sísmico,

expansionista, fui-me de letra a letra

enfeixar as certezas e atribuir ao único

que avisto, vivo, a acústica, a imagem... que agrega!


Miríades de caracteres, milhares de palavras...

Seres e ideias... centenas de frases.

A folha, a página... é muro de exaltações, árias

perdidas, vencidas, mas... aves!


Vi... ver... a pá... lavrar a terra de meu pensar

e desta medrar ao céu, em haste, o mero vocal...

e o riso, após o mito: sem sopro para acordar, 

secreta universos... segreda o verso outonal.


DC Almeida, 10/05/2021


sexta-feira, 7 de maio de 2021

Seis e sete de maio de dois mil e vinte e um

Esta página de papel ou virtual

não esconde o ser entre lados.

Olhos e sons, línguas e tons...

e pensamentos entrelaçados!


O mesmo que publica

auxilia a vista do outro 

a adentrar no ermo, na lida

da letra, no termo... Louros!


Grato, sim! Ser assim e...

sorrir extasiado ante mim!

Encarar o ti de cada um, se...

forte ser empoderar afim!


Em madrugadas, entrementes... noites, dias!

Ser a fender o tempo magistrado

Entra a remeter ao todo reintegrado, à algaravia,

as letras, o estilhaço dos significados!


DC Almeida

domingo, 26 de julho de 2020

sábado, 10 de dezembro de 2016

FEITO

Poesia,
não escrevo...
Cravo nesta manta
um sono arábico de inteligências
renegadas, um instinto excluído
de zonas erógenas...
Uma coisa é existir...
Outra é não continuar a ser...

Danilo Cerqueira
09/12/2016

domingo, 20 de março de 2016

POEMA EM QUE CITO A AÇÃO

Neste poema, em que cito a ação
não está fundada a hipoesia
antes fosse, abancada, séria
ensimesmada, a justiça poética... corrigida

De peito a seio, visaste, vibraste a pauta!
Seres e coisas, animais e sobrenaturais
elevam cantos e ordens...
sobre ondas e ares...
saboreiam-se as fervescências
as ideias pequenas, o entalo na língua...

- Aonde foram os ventos vocais?
- Onde fica o conhecimento!
- Até quando a mente se emuda, aninhando
a ida e a ira entre a mentira e a lamúria?...
Ó, poesia inútil e instrumento per-verso
Queixume saboroso, de ilibado a ilusório
Martelo e espanador... moeda em pé!

19/03/2016

O poema foi publicado no blog da revista Graduando

quinta-feira, 17 de março de 2016

Um dia, a poesia

Feliz Dia da Poesia, inspiração de meus dias
respiração de meus pulmões
que me foge do olhar, que se aloja e desterra este que pensa
não sei... nem se sou ou vivo segundo... mas, primeiro
sempre há o que me parece ser a tua letra, o teu código

Deito as ideias, envergo meu intelecto
onde estás, minha encantada imagem acústica, telúrica, cardíaca, que me implica?
"- Entre a pessoa e a vida", ouço...
De onde virá, de uma ou de outra?

Ouço... Não virá da pessoa: grãos temem o vento
é da vida!... Mas o que é a vida além de mim, pessoa?
é de nós, em vida, seres e vida de ser
teimosos, pode ser e não ser, pois
há poesia no que não se vê... mas vê-la, ah!, vê-la
é ter no tato a vista e ouvir os toques da querida...
beliscos ou petiscos do sabor da lida... ou do lido!

Danilo Cerqueira
14/03/2016

domingo, 6 de março de 2016

Hoje, serei intenção

Hoje, serei intenção
não aquela vontade reprimida
não o homem perdido nas próprias ideias
não o ser de olho esquivo no momento...
no esquecimento.

Hoje, sou vivo!
Sou e estou no vórtice vesano
estranho e exprimível, no tombo do balde
no grito arraigado, sentido no tímpano
eriçador de pelos, mas inaudível
perdido no obscuro da razão...

Hoje sou escrito
por todos os que meditam
por todos os que repetem
à vida, seres reincidentes
as teclas, as regras, as velas, as setas
as eras, as ondas, as honras... a vista
ora leda, ora lida... Ora! Vívida!

Danilo Cerqueira
06/03/2016

Fotografia: Danilo Cerqueira

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

PÉ ANTE PÉ

Onde mais está
em que lugar
em qual mundo
a quem, a qual ser chegará?

Fontes, espelhos, laivos...
ombro a ombro...
olho por olho...
dente por dente...
pé ante pé
e meu garrancho de casa
para quem não tem papel

Danilo Cerqueira

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Volto a escrever



Volto a escrever
antes da próxima página.
Toco num fundo falso,
quarta capa de dicionário.


Aqui não estou, aqui não vou
e a escrita se enreda na leitura.
Se tenho os olhares de conhecidos, se capricho na entoada,
novas faces, novos livros.

Ao que me lê, a busca das linhas e as curvas na lauda,
as passagens a limpo do corpo e do texto.
Espio meu leigo no tempo
e seu riso com a nova palavra.

Danilo Cerqueira

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Diário XVI

Vi, depois de letras e palavras
Folhas brancas e negras
Palavras negras e brancas
E olhos que não as distinguiam

Li, agora, nas entrelinhas do papel
Não árvores, mas terras; não tinta, mas água
em gotas, em plantas, em ar...

E a lágrima anual caiu...
E a seca, tão necessária à escrita
Deixou-se úmida de marcas e manchas
De ideias e vozes, gravadas e lembradas.

Crescer... haja tempo, pequeno vegetal
Há mais do que memória no galho mais alto
Em menos de cem anos, verás a floresta
E as paginas serão tuas filhas
Outra metáfora do verso e do anverso.

Danilo Cerqueira
26/12/2014

Foto: Danilo Cerqueira


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Diário XIV

Gargalo sempre avesso
Custou a avistar
Sob a lente da torneira
Água e cachoeirar

Entre bocas, vozes de som e sangue
Fonemas, lágrimas e odores
Instando no verso do ar
Compondo espelhos d'água
Nas gotas em reta
No homem em festa
No úmido, a secar

Danilo Cerqueira
02/12/2014






domingo, 22 de dezembro de 2013

- Vão!

Para o poema
Ponho uma letra
Exponho uma ideia
Estranho o que penso
Proponho o que não digo
E extraio do que não tenho
O que outros atribuem à mão

Logo alarga sentimento... - Vão!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Cansado

Eles entreabrem lentos e oscilantes. Suspensos na frequência da lâmpada, nem percebo que estão piscando.
Voam sobre a rajada de ar que os leva à imagem. Recaem na sombra cinza de uma tela queimada. Onde, perdidos, o rochedo às lágrimas? Singrando suor, o olho arde e o homem cai, saco de sal. A terra geme: o retorno do pó... o suplício do pó nos pingos grossos da menor tempestade.

Danilo Cerqueira
02/12/2013

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Lelismos da cuca

Madrugada...
Olhar a mata, densa, arquisserena
Deslumbre às falsas alas da folha
Linhas em urnas: ondas e horizonte
Para os lelismos da cuca.

Danilo Cerqueira
26/06/2013 00h30

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Novo Poema

Cada vez que assino
Um de nós se arrasta vadio ao abismo
De um mundo alheio,
Olindo acaso de tão ao riscado da queda.

Depois de febres amarelas, sóis decantam,
As nódoas ardentes tocam a superfície,
Fosso de geografia sensitiva.

Leio todas as cartas,
Revendo, ameno, os resquícios,
Incensos liquefatos no gosto terreno
Por balbúrdias poliglotas.

O fardo da névoa, holograma imóvel
De uma era sem coragem,
Desmarca a ação no ideal delito:
Palmas ao gradeado.

Danilo Cerqueira

sábado, 19 de setembro de 2009

O que impera no homem


.Foto: Danilo Cerqueira
Por que extrair um oceano
de uma única gota?
O encábulo em deferir palavras não
é maior que minha ânsia de franqueza
Não são utópicas pedras lapidadas
- Todas fazem parte de um zeugma!

Por que subtrair os vestígios
de virtudes a serem exploradas?
Desta encenação trágica não levo nada
porém trago, afora da vida e da morte
Densos estados, antes relapsos

Procedentes de homens regentes
Gradativos servos de suas mentes
A travar batalhas aleatórias:
Nunca versos, homens
Sempre, versos, retóricas!

Presente também em http://www2.uefs.br/nit_/site/poema2.html