TÁVOLA, Artur da. Muito pessoal. In: TÁVOLA, Artur da. Mevitevendo. 7. ed. Rio de Janeiro: PGL-Comunicação, 1981. p. 23 [22-23].
O tempo não está nem aqui nem lá
vai nos espaços de sentimentos
e perde senso de direção...
Está aqui, está ali,
acompanha quem sente conjuntamente
e acorda ao possível contato
de quem está ao lado... de quilômetros a anos-luz...
Lado a lado em telas, palavras, sons...
entre temas e tons, significa o termo que falta
o conforto que acalma, o afago que enternece.
Assim, certeza que se segue, vive-se!
Finca-se o nome e o peso das ações e emoções...
... emoações que diluem laços e limites...
27/05 a 1/7 de 2024
Para Ana, Terra...
Análoga e certa, à luz de girassol,
continua a grande lua a anelar
letra, arco, gérberas... e a centrar
a liberdade... Cirandam genéticas artérias...
Cá e lá, aos nomes e pessoas
arbitro... figuras, rostos, fatos e atos...
e ponho a fio a tela de esperança!
Ah, é a Terra, é tudo que há nela!
Universo? Sim, único verso
a abraçar enquanto acarinha
o saber que acerta em sentir...
Há tempo? Não é preciso...
Sonhos provam desta querência
e já são neblina de manhã...
Se ao chão deixa água rara
umedece a alma no olhar:
concentra alegria à lágrima
e anima o riso a chorar.
Amo do Almo Termo, 31 de maio de 2024.
Em menos tempo do que ontem, até porque estou usando outro recurso para registrar as palavras hoje, creio que vou escrever menos texto do que nos dois dias anteriores. Isso não deve ser problema, pois mesmo assim estou aqui, com mais vontade do que habilidade, com mais razão do que saber, com mais de menos do que de mais...
Deixando esses jogos de palavras de lado, prefiro comentar coisas do dia (e da tarde e da noite) para, delas, partir para questões atemporais... esperanças, esperanças... Hoje finalmente pude correr... correr... correr, fisicamente. Prazer inenarrável, ouvindo música então, melhor ainda. Não, eu não sou desses que se entrega ao corpo de forma mecânica, como máquina que funciona até a exaustão de seus componentes ou que apresenta qualquer defeito pelo uso exagerado. Procuro pensar, entre essa espécie de cansaço satisfatório, sobre coisas importantes para mim, assuntos e questões morais, éticas e sociais. Entre a observação de gestos e corpos ao longo de quase duas horas de exercício, vou meio.que me descobrindo como pessoa, cidadão, homem, ser socialmente constituído, mas que tem um contexto e ambiente condicionante (não determinante) e constante, articuladamente correlacionante, a me e a nos espreitar e tragar para seus domínios de convenções, digamos, específicas.
Esse é o destino dos resistentes: lutar a luta mais vã, como ilustra Drummond com as... Palavras!
Não lutar com as palavras talvez seja fechar os olhos ao seu sinal...
Bons momentos... e fins de tarde... e madrugadas...
Feira de Santana, BA, 8 de maio de 2021.
Tempo de minhas palavras
Onde está? Onde estão?
Vejo e sinto esforço apenas
Perto do céu e do vão...
O importante para mim é que este este livro, ou uma de suas crônicas, ou apenas frases, sejam buscadas como se procura os poetas: às vezes; com frequência variada; mas sempre, em horas de solidão, de encontros, de fraternidade e comunhão.
Se isso ocorrer com você, terei justificado internamente o ato de publicá-lo.
TÁVOLA, Artur da. Mevitevendo. 7. ed. Rio de Janeiro: PGL-Comunicação, 1981. Epígrafe [p. 5].
Luar...
Deixa que a maré e a brisa da montanha
encantem o olhar de quem precisa
de porto e de pousada para encontrar...
Luar...
Mesmo que um nome masculino
te chame ao avesso, não viremos lobos
quando teu sinal, cheio, de fantasia nos encantar...
Luar...
parte do mundo humano, do intenso canto...
de presença e sintonia, de oferta e energia
sabida de estar grande linda, minha esperança
de vida de um universo controverso de alegria.
Danilo Cerqueira
Aqui...
não mais será o posto
porque esquecido pelo absorto
e adstringente credo: prestígios.
Ainda assim... será a imagem semiacúsctica
que, relembrada, caminhará ao longo
de momentos que deflagram a grande ideia,
emocionante admiração, contrito orgulho...
palavras no vento, ar de espirro...
digno de espanto e alta... auto... ato civilizado
entre aqui e lá. Então...
Danilo Cerqueira
Ontem nasceu outra coisa...
Vista de longe, aquilo poderia não vingar
Soube por ouvir falar, mas entendi...
A fé renovará, mesmo, o que não se ganhar!
Se o sonho não é possível ao dormir, desperte...
Ame o que puder boquiaberto, mudo...
Não acredite no que está vendo, solerte...
Duvide do que sente aqui... no verso arguto!
Fim do dia. Palmas à história...
O olhar no horizonte, à madrugada, descobre
A escuridão e o frio, as vãs palavras... o tempo e a glória...
Valoram o sol, o ser e a futura fala...
Ontem para bilhões entre nós...
Inumeráveis para tantos vós...
Incríveis cordas que suavizam o sentido
E indefinem o senso... e redimem o escrito.
Se a noite interliga os dias, a poesia
Que não se credita, indigna, haverá
De estar no verso da linha, na distância
Que ilimita os versos, o que nego, aí, ao olhar...
D. C. Almeida
Não sei, e isso é o essencial
estar onde o corpo não pode chegar
e poder alcançar o que somente
tenho a entregar ao pensar...
Se posso não conseguir, tento ao menos
para que o mais que consiga seja o mínimo
feito com pouco, de tanto extremo...
meu máximo, no entanto, ínfimo...
e assim deixo no tempo as horas perdidas
a erva daninha, um acaso inútil, o nó incisivo
entre o teto e o papel, a tela e a dita...
a ideia que irrita o mesmo arado início...
Danilo Cerqueira
0h de 04 de junho de 2020
Terminei, ó encéfalo! Sísmico,
expansionista, fui-me de letra a letra
enfeixar as certezas e atribuir ao único
que avisto, vivo, a acústica, a imagem... que agrega!
Miríades de caracteres, milhares de palavras...
Seres e ideias... centenas de frases.
A folha, a página... é muro de exaltações, árias
perdidas, vencidas, mas... aves!
Vi... ver... a pá... lavrar a terra de meu pensar
e desta medrar ao céu, em haste, o mero vocal...
e o riso, após o mito: sem sopro para acordar,
secreta universos... segreda o verso outonal.
DC Almeida, 10/05/2021
Esta página de papel ou virtual
não esconde o ser entre lados.
Olhos e sons, línguas e tons...
e pensamentos entrelaçados!
O mesmo que publica
auxilia a vista do outro
a adentrar no ermo, na lida
da letra, no termo... Louros!
Grato, sim! Ser assim e...
sorrir extasiado ante mim!
Encarar o ti de cada um, se...
forte ser empoderar afim!
Em madrugadas, entrementes... noites, dias!
Ser a fender o tempo magistrado
Entra a remeter ao todo reintegrado, à algaravia,
as letras, o estilhaço dos significados!
DC Almeida
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| Foto: DC Almeida, 2020 |
Piso sujo, gavetas abertas e desarrumadas. livros fazendo um peso horrendo em cima da cama sem lençol.
Minha bancada estava uma mesa de despacho. Precisava mesmo era mandá-la, por completo, sumir sem deixar vestígios! Sem vendê-la, queria mesmo era comtemplar todo o recinto numa consumição em cinzas holográficas... Estou com muita dor de cabeça.
Assim saí dessa maneira deformada de ver, aqui, esta deformação e deitei na cama.
Lembrei-me dos livros, acima da cama, abaixo do céu... a meu lado.
DC Almeida, 29/04/2011.