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sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Citação de Sobre a Brevidade da Vida, de Sêneca


Não temos exatamente uma vida curta, mas desperdiçamos uma grande parte dela. A vida, se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes tarefas. Ao contrário, se desperdiçada no luxo e na indiferença, se nenhuma obra é concretizada, por fim, se não se respeita nenhum valor, não realizamos aquilo que deveríamos realizar, sentimos que ela realmente se esvai. 4. Desse modo, não temos uma vida breve, mas fazemos com que seja assim. Não somos privados, mas pródigos de vida. Como grandes riquezas, quando chegam às mãos de um mau administrador, em um curto espaço de tempo, se dissipam, mas, se modestas e confiadas a um bom guardião, aumentam com o tempo, assim a existência se prolonga por um largo período para o que sabe dela usufruir.

SÊNECA, Lúcio Anneo. Sobre a brevidade da vida. Tradução de Lúcia Sá Rabello, Ellen Itanajara Neves Vranas, Gabriel Nocchi Macedo. Porto Alegre: L&PM, 2013. (Coleção L&PM POCKET, v. 548). p. 26.

quarta-feira, 24 de julho de 2024

Citação de A constância do sábio, de Sêneca

 

 

Não há porque julgues ser grande a nossa divergência [entre Sêneca e Epicuro]. Aquilo que é visado como único objetivo recebe das duas correntes filosóficas o mesmo parecer, isto é, o desdém pelas injúrias e para os insultos, coisas que eu denomino sombras e sugestões de ofensas. Aliás, para o menosprezo delas não é necessário ser sábio. Basta o bom senso para dizer a si mesmo: "Isto me acontece merecido ou imerecidamente? Se merecido, não é agravo e sim justiça. Se imerecido, o vexame da injustiça recai sobre quem praticou".

SÊNECA. A constância do sábio. Tradução de Luiz Feracine. São Paulo: Escala, 2007. p. 64.

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Citação de A constância do sábio, de Sêneca

 

Aquele que, com respaldo de sua racionalidade, atravessa pelas vicissitudes humanas, com ânimo divino, não abre espaço para acolher a injúria.

Pensas tu que só do lado dos homens não possa advir injúria?

Garanto que nem sequer da parte da fortuna, já que essa sempre que se encontra com a virtude, nunca se iguala a ela.

Se mesmo aquela prova máxima, além da qual não subsiste ameaça alguma, seja da parte de leis severas, seja da parte dos senhorios crudelíssimos, onde a fortuna encontra barreiras para seu império, nós a recebemos, de modo plácido e todo conformado, sabendo ser a morte não um mal e que por isso ela deixa de implicar injúria, então, com muito denodo, suportaremos todas as demais contrariedades, danos, dores, afrontas, lutas familiares e separações. Todas essas coisas, ainda que assediem o sábio, não o afogam porque tais ocorrências não o entristecem, mesmo quando agridem com assaltos sucessivos.

Posto que o sábio tolera, com controle, as injúrias oriundas oriundas da fortuna, quanto mais então irá suportar as originadas de homens prepotentes que são meros instrumentos dela.

SÊNECA. A constância do sábio. Tradução de Luiz Feracine. São Paulo: Escala, 2007. p. 42.

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Citação de A constância do sábio, de Sêneca

Não há nada, na natureza, de tão sacro que não seja atingido por algum desrespeito. As coisas divinas não perdem seu privilégio de respeito máximo porque existe sempre quem intenta contra sua magnitude transcendente. Invulnerável não é o que não está sujeito a ser alvejado e, sim, o que não pode ser lesado.

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Não resta dúvida ser mais firme a força nunca derrotada do que aquela que não enfrenta obstáculo. Por isso, dúbias são as forças nunca testadas, ao passo que consistente é a firmeza que repele qualquer investida.

Haja então ciência do seguinte: É dotado de melhor consistência de ânimo o sábio a quem injúria alguma danifica do que o indivíduo que jamais foi alvejado. 

Eu denomino valoroso aquele a quem as contradições não abatem ou não atemoriza a aproximação do inimigo O mesmo já não de quem se acerca da ociosidade píngue em meio a companheiros abúlicos.


SÊNECA. A constância do sábio. Tradução de Luiz Feracine. São Paulo: Escala, 2007. p. 25-26.