terça-feira, 14 de agosto de 2012

Almaço



Fora, ao sol, uma pequena sombra de inseto livre: sono do ar.
Assobio... Coisas a cair... somente o frio.
Caso ainda exista uma centena de homens a correr esquivantes da longa baderna de vozes áridas, a pena continuará a deixar entremear suas cerdas pela incontestável brisa. Igualmente, esta movimenta os cílios postiços de uma noiva. Coisas assim, úmidas e espargidas, revertem em amabilidade um olhar em fúria, um pouco de raiva, um sentimento fugazmente medonho. Olho assim para o mundo de ares e ares, no qual vivo e revivo. Olho e sinto. Ainda que fique avesso a ambientes nostálgicos, os versos escritos afagam. Sim... um tecido roto. Linhas e linhas se vestem para serem lidas. É ou não é um cobertor, (re)tecido pelo olhar que evoca os mais belos fragmentos, como "aquele" mosaico. Instrumentos perdidos no tempo. Risos ao papel, resma à mão. Retorno a cabeça para a  lâmpada, acompanhando-a até que o olhar alcance a vista direta do centro luminoso. Trajo a ausência de escuridão artificial e saio para a mais fugidia de minhas decisões.

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