É muito bom descobrir as coisas de maneira vivencial, lendo e escutando. Nesse caso, a minha ordem foi escutar e ler.
Vejam a letra dessa música da banda Barão Vermelho (capa do CD Barão Vernelho - 2004)
EMBRIAGUE-SE
(Frejat / Mauro Santa Cecília)
Tudo acaba nisso
É a única questão
Embriagar-se é preciso
Não importa que horas são
Não ser escravo do tempo
Nas escadarias de um palácio
Na beira de um barranco
Ou na solidão do quarto
Embriague-se
Embriague-se de noite
Ou ao meio-dia
Embriague-se
Embriague-se numa boa
De vinho, virtude ou poesia
Tudo acaba nisso
É a única questão
Embriagar-se é preciso
Não importa que horas são
Pra quem foge,pra quem geme
Pra quem fala,pra quem canta
Pra não ter medo da maldade
Pra acordar toda cidade
Embriague-se
Embriague-se de noite
Ou ao meio-dia
Embriague-se
Embriague-se numa boa
De vinho, virtude ou poesia
* LIVRE ADAPTAÇÃO DO POEMA EM PROSA "EMBRIAGUE-SE", DE BAUDELAIRE
P.S.: durante algum tempo, "Pra não ter medo da maldade" soava tão verdadeiramente "Pra não temer toda maldade"
Charles Baudelaire
Aqui vai o "pequeno poema em prosa" de Baudelaire
É preciso estar sempre embriagado. Eis aí tudo: é a única questão. Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo que rompe os vossos ombros e vos inclina para o chão, é preciso embriagar-vos sem trégua.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira. Mas embriagai-vos.
E se, alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre a grama verde de um precipício, na solidão morna do vosso quarto, vós acordardes, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que foge, a tudo que geme, a tudo que anda, a tudo que canta, a tudo que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, responder-vos-ão: 'É hora de embriagar-vos! Para não serdes os escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos: embriagai-vos sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira'.
Charles Baudelaire
Livro Pequenos poemas em prosa
Charles-Pierre Baudelaire (Paris, 9 de Abril de 1821 — Paris, 31 de Agosto de 1867) foi um poeta e teórico da arte francêsa. É considerado um dos precursores do Simbolismo e reconhecido internacionalmente como o fundador da tradição moderna em poesia,[1] juntamente com Walt Whitman, embora tenha se relacionado com diversas escolas artísticas. Sua obra teórica também influenciou profundamente as artes plásticas do século XIX.
Em 1840 foi enviado pelo padrasto, preocupado com sua vida desregrada, à Índia, mas nunca chegou ao destino. Pára na ilha da Reunião e retorna a Paris. Atingindo a maioridade, ganha posse da herança do pai. Por dois anos vive entre drogas e álcool na companhia de Jeanne Duval. Em 1844 sua mãe entra na justiça, acusando-o de pródigo, e então sua fortuna torna-se controlada por um notário.
Em 1857 é lançado As flores do mal contendo 100 poemas. O livro é acusado no mesmo ano, pelo poder público, de ultrajar a moral pública. Os exemplares são presos, o escritor paga 300 francos e a editora 100, de multa.
Essa censura se deveu a apenas seis poemas do livro. Baudelaire aceita a sentença e escreveu seis novos poemas "mais belos que os suprimidos", segundo ele.
Mesmo depois disso, Baudelaire tenta ingressar na Academia Francesa. Há divergência, entre os estudiosos, sobre a principal razão pela qual Baudelaire tentou isso. Uns dizem que foi para se reabilitar aos olhos da mãe (que dessa forma lhe daria mais dinheiro), e outros dizem que ele queria se reabilitar com o público em geral, que via suas obras com maus olhos em função das duras críticas que ele recebia da burguesia.
Morreu prematuramente sem sequer conhecer a fama, em 1867, em Paris, e seu corpo está sepultado no Cemitério do Montparnasse, em Paris.
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