terça-feira, 22 de março de 2011



Eu não lia direito, mas, arfando penosamente, conseguia mastigar os conceitos sisudos: "A preguiça é a chave da pobreza — Quem não ouve conselhos raras vezes acerta — Fala pouco e bem: ter-te-ão por alguém."

Esse Terteão para mim era um homem, e não pude saber que fazia ele na página final da carta. As outras folhas se desprendiam, restavam-me as linhas em negrita, resumo da ciência anunciada por meu pai.

— Mocinha, quem é o Terteão?

Mocinha estranhou a pergunta. Não havia pensado que Terteão fosse homem. Talvez fosse. "Fala pouco e bem: ter-te-ão por alguém."

— Mocinha, que quer dizer isso?

Mocinha confessou honestamente que não conhecia Terteão. E eu fiquei triste, remoendo a promessa de meu pai, aguardando novas decepções.


Leitura, capítulo/conto do livro Infância, de Graciliano Ramos.
Há, sem dúvida, um sublime conforto existencial na admiração mútua.

sexta-feira, 18 de março de 2011

As letras das músicas em diálogo com o conhecimento sobre a vida VII

Acho que, ao final da escuta, chega-se à pergunta "Será que somos nós?".

Será que Sou Eu?
Composição: Paulinho Moska


Será que sou eu na minha carteira de identidade?
Será que sou eu que ando no meu corpo pela cidade?
Será que sou eu que morro de rir da felicidade?
Ou será que sou eu que minto pra dizer a verdade?

Será que sou eu o feto que não quer nascer?
Será que sou eu o único defunto que quer viver?
Será que sou eu a cara em que meu olho mora?
Ou será que sou eu aquele cara sem culpa que foi embora?

Será que sou eu puxando o fio do suéter de lã?
Será que sou eu excitando a força do imã?
Será que sou eu que tenho medo do jornal de amanhã?
Será que sou eu que sou feliz por não usar sutiã?

Eu, eu, eu, eu
Será que sou eu?

Será que sou eu o alvo da boca que me beija?
Será que sou eu que bebo água ao invés de cerveja?
Será que sou eu o cabeludo pregado na cruz da igreja?
Ou será que sou eu que penso ser o que talvez eu nem seja?

Eu, eu, eu, eu
Será que sou eu?

LP DO SINGLE
(SUGESTIVO NÃO?)
Essa música fez parte da trilha sonora da novela "Olho no olho" (sugestivo de novo?) em 1993.

quinta-feira, 17 de março de 2011

"Também se goza por influição dos lábios que narram"

Machado de Assis, Dom Casmurro, cap. XXII




"É preciso ainda buscar no homem o que o aproxima de (d)Deus!"

"Em que sentidos ser cúmplice, partidário, corporativista ou coisa parecida, no bem ou no mal, é uma característica que aproxima os homens?"

quarta-feira, 16 de março de 2011

As letras das músicas em diálogo com o conhecimento sobre a vida VII

Acho esse sambinha (cunho carinhoso) muito legal. Sua simplicidade é ao mesmo tempo singela e profunda. O assunto vai e volta e, de uma suposta erudição depara com um diálogo que se propõe, de maneira muito universalizadora, transcendente aos embates entre saber e conhecimento e proclama a vitória do ser humano, mediada na letra pelo paralelo entre com o "bem conhecido" ambiente escolar e acadêmico.

Diplomação


Compositor: Ivan Lins / Celso Viáfora



[Intro:] E C#m7(9) F#m7(9) B9 Cº A/C# B/D# G#m7 C#m7 F#m7 B7

E G#7(b13)(b9)/C C#m7 G#7(b13)(b9)

Claro que eu tenho em mim as marcas dos tempos ruins

G#m7 Gº F#m7 C#7/F

Mas sou estudante é da felicidade

F#m7 D9 B/D# A/E Ebm7(b5)

Sorrio da lua vir, me comovo do sol raiar

G#7(b13)/C C#m7 F#m7 B7

Brigo com a tempestade

E G#7(b13)(b9)/C C#m7 G#7(b13)(b9)

Claro que eu tenho em mim as marcas dos tempos ruins

G#m7 Gº F#m7 C#7/F

Mas sou estudante é da felicidade

F#m7 D9 B/D# A/E D#m7(b5)

Sorrio da lua vir, me comovo do sol raiar

G#7(b13)/C C#m7 C#m7/B F#m7

Brigo com a tempestade

B7 E

E um dia eu chego lá!



C#7 F#m7 B7 E C#7

Se a vida é mesmo diplomação em sofrimento

F#m7 B7 B7/A G#m7(b5) C#7

Eu quase nunca faço a lição que é pra não aprender

F#m7 G#m7 Am7 D7 G#m7 C#7

Quando a tristeza vem, faço ela adormecer

C7 B7 F#m7 B7 E

Não quero mais, não quero mais sofrer
 
Essa é a capa do CD no qual encontrei essa música. Ivan Lins dispensa comentários (ou não). Celso Viáfora Não conhecia. Confesso que fiquei curioso sobre o trabalho dele. Vou buscando, na medida do possível, apreciar seu trabalho.
 
 

terça-feira, 15 de março de 2011

As letras das músicas em diálogo com o conhecimento sobre a vida VI

Caridade
Composição: Nelson Cavaquinho

Não sei negar esmola
A quem implora a caridade
Me compadeço sempre de quem tem necessidade
Embora algum dia eu receba ingratidão
Não deixarei de socorrer a quem pedir o pão
Eu nunca soube evitar de praticar o bem
Porque eu posso precisar também

Sei que a maior herança que eu tenho na vida
É meu coração, amigo dos aflitos
Sei que não perco nada em pensar assim
Porque amanhã não sei o que será de mim...

domingo, 6 de março de 2011

As letras das músicas em diálogo com o conhecimento sobre a vida V

Essa letra casa tão bem com a música e com a interpretação do Sting (do videoclip nem se fala!) que certamente não poderia deixar de ter percebido, mesmo que não entendesse uma palavra do que ele disse, há algum tempo. Acho que uma música (o conjunto mesmo da obra, físicos ou não, ideológicos, históricos etc.) realmente não se pode estudar, falar ou discutir sem que se goste. Não gostar de uma coisa e discorrer sobre ela em algum momento torna-se um tédio para quem fala e insuportável para que escuta. Sem dúvida ela - a música, o discurso, qualquer frase capaz de despertar o intelecto ou a sensibilidade - fala (ou incomoda) ao coração, mas não se deve desprestigiar o diálogo com aspectos de nossa vida, pois, acho, ela (e nada) não aparece sozinha(o) em nossos momentos de criação e de escuta, ou seja, na vida mesmo.




 

 

 

If I Ever Lose My Faith in you

You could say I lost my faith in science and progress
You could say I lost my belief in the holy church
You could say I lost my sense of direction
You could say all of this and worse but


If I ever lose my faith in you
There'd be nothing left for me to do


Some would say I was a lost man in a lost world
You could say I lost my faith in the people on TV
You could say I lost my belief in our politicians
They all seemed like game show hosts to me


If I ever lose my faith in you
There'd be nothing left for me to do


I could be lost inside their lies
Without a trace
But everytime I close my eyes
I see your face


Never saw no miracle of science
That didn't go from a blessing to a curse
Never saw no military solution
That didn't end up as something worse but
Let me say this first


If I ever lose my faith in you
(If I ever lose my faith in you)
There'd be nothing left for me to do
(There'd be nothing left for me to do)


If I ever lose my faith
If I ever lose my faith
If I ever lose my faith
If I ever lose my faith...in you

 

 

If I Ever Lose My Faith in you (Tradução)

Se eu perdesse minha fé em você
(tradução)
Sting


Você poderia dizer que perdi minha fé na ciência e no progresso
Você poderia dizer que perdi minha crença na santa igreja
Você poderia dizer que perdi meu senso de direção
Você poderia dizer tudo isso e mais mas
Se eu perdesse minha fé em você
Não haveria nada restante para mim fazer
Alguns diriam que eu era um homem perdido num mundo perdido
Você poderia dizer que eu perdi minha fé nas pessoas da TV
Você poderia dizer que eu perdi minha crença nos nossos políticos
Todos eles parecem apresentadores para mim
Se eu perdesse minha fé em você
Não haveria nada restante para mim fazer
Eu poderia me perder nas mentiras deles
Sem nenhum rastro
Mas toda vez que fecho meus olhos
Vejo seu rosto
Nunca vi nenhum milagre da ciência
O que não foi de benção para maldição
Nunca vi nenhuma solução militar
Que não acabasse como algo pior ainda mas
Deixe-me dizer isto antes
Se eu perdesse minha fé em você
(Se eu perdesse minha fé em você)
Não haveria nada restante para mim fazer
(Não haveria nada restante para mim fazer)
Se eu perdesse minha fé
Se eu perdesse minha fé
Se eu perdesse minha fé
Se eu perdesse minha fé... Em você


Antes de escreverem sobre a tradução, ajudem o site  no qual a pesquisei, 

sexta-feira, 4 de março de 2011

Fotografias


Escrita "quase" automática num carnaval de palavra

Vou lá chegar ao ápice da escrita e deixar lentamente a tinta escorrer ou talvez o lápis rasgar o papel, uma tesoura cortar um tecido qualquer? ... Posso não mais saber o que pensar?!

Essa é a mais doce perdição...  de pensamentos. Ficar mesmo tudo branco, nunca por uma droga? Bela noção de drogas têm as mentes conservadoras ou conservadas de nossa sociedade. A verdadeira perdição (leia-se alheamento existencial) se curte sem qualquer artificialidade. Tudo pode ser produzido por nosso corpo, de maneira natural. Uma doce perdição é, no meu caso, a perdição pela palavra. Encontrar e perder os próprios ânimos num texto é uma tal viagem que não troco por muita coisa. Não a troco por qualquer coisa porque isso já é literatura e música: "Essa papo já tá qualquer coisa... Você já tá pra lá de Marrakech"

Essa coisa que meche com o olhar e afunda nossas cabeças num laguinho de papel, transborda a água-vida em nosso movimento através de, digamos assim, raias-pautas. E como se pode mergulhar nesse mundo submerso, nesse incômodo maravilhoso que pode muito tumultuar, um certo vício que, se não for complementado por certa visão de realidade não sobra nada - nada de responsa!
Quando cada criança estiver no alto de uma árvore, a gritar de alegria pelo final da brincadeira, estarei bem contente com a certa missão de vida, movimento involuntário de inspiração e expiração somente amalgamado por quem respira e faz algumas pausas (esteja-se ofegante) quando escreve uma palavra.