sábado, 10 de dezembro de 2016

FEITO

Poesia,
não escrevo...
Cravo nesta manta
um sono arábico de inteligências
renegadas, um instinto excluído
de zonas erógenas...
Uma coisa é existir...
Outra é não continuar a ser...

Danilo Cerqueira
09/12/2016

sexta-feira, 1 de julho de 2016

,oXo,

Depois de escrito meu poema, amiga, ele é teu
não só letras conjuntas, pausas e entonações
leituras únicas, lábios e olhares em
momentos teus, do que sentires e a quem mostrares

São apalavrados que assentam no tempo
lauda e pauta para sempre
sobre o adeus que nunca se dirá
da boa chegada sem espera
do encontro não marcado
na vitória do título mais amado
dos mais amáveis
dos mais amadores...

Feliz, a lembrança entusiasma
a escrita conforta e a leitura aproxima
ao pé da serra, destino e horizonte desalinham
no que se pensa destas letras, antes e depois
da primeira vista, do primeiro poema

Danilo Cerqueira

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Diário XVIII

Uma escrita em povo
não tem letras ou palavras
símbolos móveis e orgânicos
alimentam o que pensa o mudo
e ressoam em batidas de coração

Uma escrita em povo
não descarta a jogada perdida
a palavra cuspida e o insulto aterrador.
Isso mesmo: eles existem e não existem
pensamos e não pensamos
entre o ontem e o amanhã

Uma escrita em povo
não descreve o dia a dia
honra preconceitos e prudências
"a mão que afaga é mesma que apedreja"
e os Anjos são homens fendidos e ofendidos
Entre o que hoje se pensa e dissimula
E o amanhã iluminado... areia em pó


Danilo Cerqueira
08/06/2016